Terapia cognitivo comportamental
Inicialmente, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma abordagem terapêutica amplamente utilizada na psicologia para tratar uma variedade de problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão, fobias, transtornos alimentares e traumas. Ela é baseada na ideia de que os nossos pensamentos, emoções e comportamentos estão inter-relacionados e influenciam um ao outro.
A TCC trabalha com o objetivo de ajudar o paciente a identificar e mudar padrões de pensamento e comportamento que contribuem para o seu sofrimento. Durante a terapia, o paciente é encorajado a explorar seus pensamentos negativos, crenças e suposições que podem estar contribuindo para seus sintomas. Desse modo, o terapeuta ajuda o paciente a desenvolver habilidades para desafiar e mudar esses padrões de pensamento.
A TCC é uma terapia estruturada e orientada para o presente, focando em metas específicas de mudança comportamental. Dessa forma, ela usa técnicas ativas e colaborativas, como o treinamento de habilidades de resolução de problemas, dessensibilização sistemática, exposição e prevenção de resposta, relaxamento e treinamento em habilidades sociais.
Dito isso, a terapia cognitivo Comportamental tem como uma das suas principais técnicas o questionamento socrático, que baseia-se em uma colaboração entre paciente e terapeuta em busca de reconhecimento e modificação de pensamentos e emoções desadaptativos. Este é realizado com a utilização de perguntas direcionadas ao paciente, estimulando a curiosidade e desenvolvendo o pensamento acerca da questão abordada (WHRIGT, 2008).
Dessa forma, de um conjunto de indagações realizadas de forma leve, porém contínua, que busca levar o indivíduo ao confronto do seu pensamento com a realidade e evidências compatíveis, debatendo percepções e interpretações, e assim, trazendo a percepção de falhas no raciocínio utilizado (MIYAZAKI, 2004; OVERHOLSER, 1993 apud MELO, 2012).
Questionamento socrático
Incialmente, a utilização do questionamento socrático traz benefícios como o aumento de confiança do paciente com seu terapeuta, possibilitando o mesmo a questionar seus próprios hábitos e pensamentos, e entender os processos cognitivos, para que ele consiga futuramente realizar esses processos sozinho (WHRIGT, 2008).
Dito isso, o questionamento socrático na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma técnica utilizada pelo terapeuta para ajudar o paciente a examinar e questionar seus pensamentos e crenças disfuncionais. A técnica baseia-se na abordagem filosófica de Sócrates, que buscava estimular a reflexão crítica em seus interlocutores, promovendo o desenvolvimento de ideias e o questionamento de crenças estabelecidas.
Na TCC, os terapeutas utilizam o questionamento socrático para ajudar os pacientes a identificar e desafiar pensamentos negativos e distorcidos que podem estar contribuindo para problemas emocionais, como ansiedade e depressão. Dessa forma, o terapeuta faz perguntas abertas e direcionadas, com o objetivo de ajudar o paciente a examinar a evidência para suas crenças e a considerar outras perspectivas.
Durante a execução desta técnica, permeia-se, com frequência, alguns parâmetros como:
A Memória
Refere-se à necessidade de saber quando o pensamento começou a ocorrer, bem como a frequência e intensidade do mesmo (MELO, 2012).
A Tradução
A reformulação da frase dita pelo paciente ajuda o mesmo a estruturar o pensamento em busca de expressar o que significa para si ou para outros, ajudando o mesmo a perceber incongruências ou esclarecimentos acerca do mesmo (MELO, 2012).
A Interpretação
É quando realiza-se a junção das informações coletadas, como interpretações e evidências, encontrando generalizações errôneas, definições, crenças, valores e outros, sendo necessário compreender também que esses insights tem maior eficácia quando feitos pelo próprio paciente, e não explicados pelo terapeuta. (MELO, 2012).
A Aplicação
Consiste em perceber o que está sendo feito para resolver a situação, ou lidar com a mesma, buscando conhecimentos e habilidades que foram discutidas anteriormente, de forma que possam ser aplicadas para melhorar a situação (MELO, 2012).
A Análise
Têm como objetivo auxiliar o paciente a resolver o problema, desenvolvendo percepção sobre os processos do seu pensamento para encontrar soluções eficientes e lógicas. Para isso, busca-se qual seria a possível conclusão para diferentes comportamentos (MELO, 2012).
A Síntese
Buscar que o paciente veja a situação de uma forma diferente da utilizada normalmente, trazendo possíveis respostas que fogem do padrão de comportamento do paciente. Isto realiza-se um levantamento de tudo o que foi feito anteriormente para isso (MELO, 2012).
Aplicação
Além disso, destacam-se mais algumas informações importantes na hora de utilizar o Questionamento Socrático, como:
- fazer perguntas que possibilitem mudanças (“que outra opção você teria?”),
- e também auxiliar o paciente a pensar sobre seu pensamento, o que significa fazer perguntas que ajudem na aprendizagem de ele mesmo se questionar.
Sempre preze por aguçar a curiosidade e não que o paciente se sinta pressionado a chegar em novas respostas. Dessa forma, pode utilizar perguntas abertas, permitindo assim que ele tenha liberdade para falar o que lhe vem à mente sobre o assunto (WHRIGT, 2008).
Finaliza-se sinalizando que crianças e adolescentes geralmente não possuem o nível cognitivo necessário para utilizar essa técnica. Assim, deve-se utilizar outras formas de interação, como desenhos, brinquedos e outros (FRIEDBERG et al, 2019).
Referências:
DOS SANTOS MELO, Arlinda. Estudo sobre o questionamento socrático como método de intervenção estratégica da psicoterapia cognitiva. 2012.
FRIEDBERG, Robert D.; MCCLURE, Jessica M. A Prática Clínica da Terapia Cognitiva com Crianças e Adolescentes-2. Artmed Editora, 2019.
WRIGHT, Jesse H. et al. Aprendendo a Terapia Cognitivo-Comportamental: Um Guia Ilustrado. Artmed Editora, 2018.