Entendendo o autismo:
Hoje se tem clareza de que a avaliação precoce do Autismo tem papel primordial no melhor prognóstico de TEA. Isso pois possibilita a realização de melhores intervenções, manejo de sintomas de forma precoce e fortalecimento da rede de apoio desde cedo. Dessa forma é possível alcançar também um maior desempenho acadêmico.
Dito isso, é importante ressaltar que os pais podem observar os primeiros sintomas a partir do primeiro ano de vida, sendo mais frequentemente os sinais relacionados à atenção e linguagem. Na sequência, por volta dos 18 meses, é possível começar a observar os sinais de hipersensibilidade e comportamentos estereotipados .
O que é:
Desta forma, hoje, o transtorno do Espectro Autista, ou TEA, é considerado um transtorno neurobiológico, envolvendo lóbulos frontais orbitais, Lóbulo temporal medial e amígdala.
Estas são consideradas de grande importância para as habilidades sociais e demonstrando três grupos de sintomas principais: relacionamento social, comunicação e comportamento.
Causa:
Apesar de não se ter um ponto final da discussão do que pode causar o autismo, entende-se que a tendência atual é não considerar determinações genéticas e ambientais como determinantes do TEA, e sim, considerar fatores genéticos e não genéticos como fatores de risco para o desenvolvimento com transtorno.
Existem, além disso, estudos apontando para idade materna e paterna avançada, bem como complicações no parto, uso de ácido valpróico durante a gestação também como fatores de risco para o desenvolvimento e condições genéticas ou cromossômicas.
Porém, se faz importante ressaltar que o TEA não é uma condição atrelada a um único gene, sendo na verdade, um transtorno complexo resultante de variações genéticas em múltiplos genes associados à interação genética, a epigenética e a fatores ambientais
Sintomas:
Segundo American Psychiatric Association (et al., 2014), o TEA apresenta dois grupos principais de sintomas para o diagnóstico, sendo estes,
1) déficits na comunicação social e interação social que devem ser apresentados em diversos contextos;
2) Padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades.
Grupo 1:
As habilidades relacionadas à comunicação social incluem vários comportamentos verbais e não verbais que aparecem em interações sociais com outros indivíduos.
Essas habilidades dependem do indivíduo conseguir aplicar uma atenção compartilhada (realizar a interação com diferentes pessoas em diferentes situações). Bem como o uso de símbolos, que se trata de compreender os significados de expressões faciais, gestos, sarcasmo e brincadeira imaginativa.
No primeiro grupo de sintomas relatado anteriormente, as pessoas apresentam dificuldade ou ausência de reciprocidade emocional, não conseguindo estabelecer conversas com compartilhamento de interesses e afetos, além de ter dificuldade para iniciar tais interações.
Apresenta também a ausência de expressões faciais e comunicação não verbal para interações sociais, além da dificuldade de entender ou manter relacionamentos, possuindo dificuldade em identificar quais comportamentos deve utilizar em determinados contextos sociais.
Apresenta, ainda nesta mesma categoria relacionada às interações sociais, o desinteresse pelos pares, preferindo manter atenção em objetos do que em pessoas.
Entende-se que a dificuldade em atribuir gestos e sentimentos de outros indivíduos pode estar atrelada aos Neurônios espelhos, responsáveis por entendermos e aplicarmos comportamentos de outros indivíduos, de forma a interagir com eles de forma empática.
Porém, foi percebido que as pessoas diagnosticadas têm uma ativação destes neurônios reduzida. Dessa forma, quando observam outro indivíduo realizando uma ação, como dar tchau, não percebem a necessidade empática de retribuir o gesto.
Grupo 2:
Trata-se o segundo grupo de sintomas por meio do tratamento dos padrões repetitivos de comportamento e interesse, como movimentos motores estereotipados, a insistência em manter um mesmo padrão ritualístico, seja ele verbal ou não, juntamente com a inflexibilidade em relação à mudança desses padrões ritualísticos.
Os padrões ritualísticos estão ligados ao apego em realizar as coisas de uma mesma forma para se sentir seguro sem ter a necessidade de pensar em estratégias alternativas para resolver problemas. Dessa forma, evitando a flexibilidade de usar outras funções executivas e precisar se adaptar a diferentes situações.
Apresentam interesses restritos e rígidos com extrema intensidade e foco em objetos que normalmente não recebem tamanha atenção, como a roda de um carrinho.
No entanto, pessoas com TEA apresentam uma alteração na percepção dos objetos e situações e no significado que atribuem, em contraste com a tendência natural dos indivíduos de juntar informações para dar significado ao todo.
Isso ocorre pois apresenta um processamento centrado nos detalhes de forma desconexa ao contexto geral, como focar sua atenção na roda do carrinho que gira, mas não que esta roda está de fato em um carrinho que pode se locomover.
Encerra-se a lista com a possibilidade de apresentar hiper ou hipo reatividade. Ou seja: pouca ou muita sensibilidade aos estímulos sensoriais como toques e sons, que podem trazer grande desconforto ao indivíduo.
Além dos sintomas:
Dito isso, os sintomas que forem preenchidos precisam estar presentes de forma precoce, ou seja, já no início do desenvolvimento. Além disso, precisam causar prejuízo verificado clinicamente como significativo dentro das áreas sociais e profissionais do indivíduo.
É necessário verificar também os diagnósticos diferenciais que podem ser confundidos com o TEA, como a deficiência intelectual ou o atraso global do desenvolvimento.
Gravidade:
Finalizando, existem graus de gravidade que vão de 1 a 3.
O grau 1 o considerado mais leve e menos dependente, e o 3, considerado o grau mais elevado e com mais necessidade de assistência.
Além dos graus de gravidade, é necessário especificar se existe comprometimento intelectual concomitante ou comprometimento de linguagem também concomitante.
Referencias:
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora, 2014.
KLIN, Ami. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de Psiquiatria , v. 28, p. s3-s11, 2006.
SILVA, Ana Beatriz Barbosa; GAIATO, Mayara Bonifacio; REVELES, Leandro Thadeu. Mundo singular. Entenda o Autismo. Rio de Janeiro: Editora Fontana, 2012
VIANA et al. Autismo: uma revisão integrativa. Revista Saúde Dinâmica, vol. 2, n. 3, 2020. Disponível em: http://143.202.53.158/index.php/saudedinamica/article/view/40/43.
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