viver o momento presente x piloto automático
Por que ficamos no piloto automático?
Estarmos no piloto automático é muito prático para o nosso dia-a-dia. É possível que entremos neste modo graças a incrível capacidade da nossa mente de aprender com a repetição e guardar memórias motoras, para que assim, nem precisamos pensar como fazer a volta para amarrar o sapato ou como exatamente fazemos para dirigir.
E qual o problema?
O lado ruim disso é que, quando cedemos demais ao piloto automático, podemos acabar pensando, trabalhando, comendo, caminhando ou dirigindo sem uma consciência clara do que estamos fazendo, sempre presos em outros momentos que não o presente.
E assim nossa vida passa, sem que a estejamos vivendo.
Perder o contato com o momento presente pode nos impedir de ver as oportunidades que estão à nossa frente. Ao voltar a atenção para o momento presente, podemos observar e descrever conscientemente nossas experiências atuais, sem julgamentos, e estar em contato com o contexto em que estamos. Isso ajuda a agir de acordo com nossos valores e enfraquece a evitação e a luta contra as experiências que vivenciamos.
A atenção plena ou momento presente:
A atenção plena nos traz de volta à consciência: um local de escolha e intenção. Essa intenção nos permite voltar a ter total consciência de nossa vida. Proporciona a capacidade de nos conectarmos com nós mesmos de tempos em tempos para que possamos fazer escolhas intencionais.
Não é necessário estar presente o tempo todo, mas devemos usar o planejamento para pensar no futuro e aprender com nossos erros no passado. É importante realizar essas atividades nos momentos apropriados para que possamos aproveitar nosso dia ao máximo!
O objetivo de prestar atenção no momento presente não é para estar nele o tempo todo, mas sim para estar ciente dele quando necessário. A consciência do momento presente ajuda a promover uma vida baseada em valores e aumenta a flexibilidade psicológica. Quando vemos nossos pensamentos como negativos, nós tendemos a tentar eliminá-los, o que impede que experimentemos plenamente o momento presente. Isso ressalta a importância de lembrar que eliminar esses pensamentos pode nos afastar do presente e diminuir nossa capacidade de estar conscientes do momento atual.
Quando estamos conectados com o momento presente, muitas vezes não precisamos lutar contra as nossas experiências, já que a maioria delas não é ameaçadora. Sentimentos, pensamentos e sensações são apenas experiências a serem observadas, sem que precisemos nos apegar a elas ou julgá-las. Quando perdemos o contato com o presente, podemos ficar presos em avaliações e julgamentos sobre nossas experiências, criando sofrimento desnecessário.
Entenda um pouco mais:
As vivências se revelam naturalmente à medida que ocorrem, sem que haja necessidade de esforço para isso. Durante esse processo, marcado pelo apego, as experiências emergem e se dissipam por si só. Porém, é fácil se distrair e deixar a mente vagar para um mundo virtual cheio de pensamentos, dificultando a permanência no momento presente. Para desenvolver essa habilidade, é preciso praticar o foco e a observação dos momentos presentes, reconhecendo que é quase impossível manter-se presente o tempo todo.
Algumas perguntas para refletir:
- Você acha difícil permanecer concentrado no que está acontecendo no momento?
- Você costuma andar rápido para chegar ao seu destino, sem prestar atenção ao que experimenta ao longo do caminho?
- Você tem a impressão de estar “funcionando no piloto automático”, sem muita consciência do que está fazendo?
Como estar no momento presente? (mindfulness)
A prática da meditação, por exemplo, pouco a pouco muda algumas estruturas e circuitos cerebrais, o que também faz algumas funções do cérebro se alterarem.
Estimular o desenvolvimento de atenção pode ser feito por um ciclo que envolve pelo menos quatro estados diferentes: foco, divagação, consciência da divagação e mudança de foco da atenção.
Como funciona?
- O meditador procura manter o foco atencional em algo , como por exemplo, as sensações corporais ou a respiração.
- A atenção é mantida com facilidade por algum tempo, mas, eventualmente ocorre uma distração ou interrupção desse foco atencional e o indivíduo entra em divagação.
- Daí a pouco, ele percebe que está divagando e voluntariamente retorna sua atenção para o foco inicial.
- Esse ciclo irá repetir-se continuamente durante a prática da meditação.
À medida que essa atividade se repete ao longo do tempo, os estados de atenção começam a conseguir se manter por mais tempo, enquanto os períodos de divagação tendem a ser mais curtos.
Conclusão
Finalizando, destacamos também que o midnfulness e a atenção no presente são muito importantes dentro da terapia comportamental contextual e da ACT. para aprender mais sobre a ACT clique aqui, e para entrar em contato com um de nossos profissionais, clique aqui
Referências:
COSENZA, R. M. Neurociência e mindfulness: meditação, equilíbrio emocional e redução do estresse. Porto Alegre: Artmed, 2021.
HAYES, S. C. Aprendendo ACT: Manual de Habilidades de Terapia de Aceitação e Compromisso para Terapeutas. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2022
WILLIAMS, Mark; PENMAN, Danny. Atenção plena–Mindfulness: Como encontrar a paz em um mundo frenético. Sextante, 2015.